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As Misericórdias: património português, património do mundo

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08.10.2026

As Misericórdias portuguesas, com uma história de mais de cinco séculos, apresentam um percurso diferenciado – individual para cada uma delas, mas com um carisma comum – na assistência aos mais necessitados de cada época histórica.

Também designadas Confrarias da Misericórdia ou Santas Casas da Misericórdia, eram instituições maioritariamente compostas por leigos e viriam a converter-se nas mais importantes confrarias portuguesas da época Moderna. Para tal contribuiu a sua rápida difusão por todo o país e espaço ultramarino, assumindo-se como eficazes estruturas socio-assistenciais que respondiam às necessidades epocais, conquistando a aceitação por parte das elites locais.

Em 1498, fundou-se a primeira confraria da Misericórdia em Lisboa, no contexto da reorganização da assistência que decorria por toda a Europa. Os vários autores que se têm dedicado ao estudo deste processo reformista têm destacado dois aspectos chave para o caso português. Por um lado, o aparecimento do hospital moderno, com a instituição do Hospital Real de Todos-os-Santos (c. 1483) e, por outro, a criação e difusão das Misericórdias (1498). Como destacou Isabel dos Guimarães Sá, estas corresponderiam a uma especificidade e originalidade portuguesas no contexto da praxis assistencial da Idade Moderna europeia, através do desvanecimento do papel assistencial das outras confrarias e o consequente monopólio da atividade caritativa por parte das Misericórdias.

Embora se registem confrarias com a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia noutros países, as Misericórdias portuguesas distinguem-se das suas congéneres da Europa do Sul, nomeadamente de Itália e Espanha. As principais diferenças residem no facto de se terem assumido como o elemento........

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