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A interdição da Luz e o medo gerido pelos empregadores do futebol

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07.08.2026

1.A Liga 26-27 começa debaixo de um ambiente que não é bom para o futebol português e esta época promete elevar o ruído a níveis indesejáveis, por tudo o que se tem passado nos últimos tempos, agravado com a ameaça de boicote dos árbitros e do conhecimento dos áudios que, colocados na praça pública, adensaram a convicção de que há uma influência demasiado significativa e determinante de agentes que não têm nada a ver com o jogo propriamente dito – e isso deveria ser suficiente para se criar, de imediato, uma espécie de alerta geral e agir-se em conformidade.

2.Dirá o leitor: mas onde está a novidade? Pois: essa é a grande questão. Em quase todas as épocas e durante décadas, o futebol vive mergulhado num ambiente de instabilidade e fraquíssima confiança nos principais atores, entre os agentes desportivos. É, de facto, um problema crónico e o que se assiste agora, com uma ameaça de greve dos árbitros entretanto aparentemente resolvida debaixo de promessas que o presidente da FPF teve de fazer para mitigar situações que são da sua responsabilidade, pelas promessas que fez quando passou da Liga para a Cidade do Futebol, é uma extensão de um padrão sistémico que não se altera porque a raiz do sistema não se altera e isso tem a ver com estatutos e a base eletiva de entidades que deveriam apoiar a independência e a credibilidade dos agentes que ocupam lugares de decisão, mas que, ao contrário, são escolhidos a dedo para reforçar posições e para fortalecer certos poderes.

3.O futebol é um desporto popular e de milhões, movimenta muito dinheiro, tem uma componente afetiva e de paixão clubística fortíssima que faz com que os presidentes dos clubes, pressionados pelos adeptos e pelos resultados, tomem decisões, às vezes, muito pouco racionais, e, num país pequeno como o nosso, em que todos se conhecem, é muito fácil criarem-se zonas cinzentas e zonas de bloqueio às quais aqueles que deveriam ser os verdadeiros líderes do futebol português, como o presidente da FPF e da Liga, acabam por se acomodar. Porque, acham eles, o que ganham com os seus silêncios e omissões........

© SOL