O patriotismo que termina em Washington
Lula reuniu Hugo Motta e Davi Alcolumbre para discutir o fim da escala 6x1, minerais críticos e incentivos a datacenters no Brasil.
Brasília e Washington agendaram reunião para segunda‑feira entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano Jamieson Greer, a primeira desde julho.
Lula manteve uma chamada de 1h20 com o ex‑presidente dos EUA, Donald Trump, contestando medidas americanas e pedindo a reabertura do diálogo comercial.
O confronto evidencia a disputa sobre a capacidade do Brasil de definir suas prioridades econômicas e estratégicas diante de pressões externas e do discurso patriótico da direita.
Duas agendas se cruzaram nos últimos dias e colocaram no centro do debate político uma questão decisiva para 2026: quem define as prioridades do Brasil. De um lado, Lula reuniu Hugo Motta e Davi Alcolumbre para tratar do fim da escala 6×1, dos minerais críticos e de incentivos a datacenters — temas que envolvem a distribuição dos ganhos do desenvolvimento, o controle de recursos estratégicos e a posição do país na economia digital.
Do outro, Brasília e Washington confirmaram para a próxima segunda-feira uma reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a primeira desde que as negociações foram interrompidas em julho. A retomada foi precedida por um telefonema de uma hora e vinte entre Lula e Trump, no qual o presidente brasileiro contestou as medidas adotadas pelos americanos e defendeu a reabertura do diálogo comercial.
À primeira vista, são assuntos distintos. Mas ambos remetem à mesma disputa: a capacidade de o Brasil estabelecer suas próprias prioridades diante de pressões econômicas, políticas e externas. O embate comercial com os Estados Unidos, assim, ganha uma dimensão que ultrapassa a disputa tarifária e coloca sob exame o discurso de patriotismo que a direita bolsonarista transformou em um de seus principais ativos.
A crise tarifária oferece o primeiro caso concreto. As duas sobretaxas em vigor — 25% sob a........
