A interoperabilidade que falta: quando o Estado esquece o que já sabe
Há experiências negativas que a maioria dos portugueses já viveu. Entregar, num serviço público, um documento que outro serviço público já possui. Levar a certidão de nascimento a uma entidade integrada na Segurança Social quando essa informação está ao dispor do Estado. Justificar a morada num organismo público quando ela já está atualizada noutro. Preencher, à mão, dados que já existem, algures, num sistema informático do próprio Estado. Estes pequenos absurdos quotidianos, que podiam aqui ser multiplicados ad nauseam, têm um nome técnico – falta de interoperabilidade – e custos que raramente discutimos com a seriedade que o tema merece.
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Custos para o cidadão, em tempo perdido em filas e deslocações que poderiam ser evitadas. Custos para as empresas, que, a todo o momento, reportam a mesma informação a organismos diferentes, em formatos e prazos muitas vezes distintos. E custos para a própria Administração Pública, latamente entendida, desde logo, com trabalhadores para validar manualmente dados que poderiam ser cruzados automaticamente. No fundo, perde-se eficiência num círculo onde a falta de comunicação entre sistemas gera erros, atrasos e necessidade de mais burocracia para os corrigir.
Há também um custo menos visível, mas talvez mais grave: a erosão da confiança dos cidadãos no universo público, encabeçado pelo Estado, que parece, aos seus olhos, incapaz de se organizar........
