Obrigado, Carlos Brito
É inegável o papel fundamental que o Partido Comunista Português teve no desgaste e no derrube do Estado Novo. É justa e devida uma gratidão coletiva aos militantes comunistas que deram as suas vidas pela liberdade ou que foram torturados no Aljube, em Caxias, em Peniche, no Tarrafal ou em caves sombrias devidamente preparadas pela polícia política. Não deixa de ser estranho, mesmo que não seja novidade, que seja o PCP a desrespeitar essa mesma história e a forjar um revisionismo assente numa cegueira rancorosa e numa impiedosa frieza que faria um lobo de Wall Street parecer um gato inóxio.
A reação do PCP à morte do seu antigo histórico dirigente Carlos Brito é desrespeitosa e ofensiva da memória coletiva do País. Devia, aliás, envergonhar qualquer militante comunista que não esteja mergulhado na cada vez mais evidente alucinação coletiva em que vive o Secretariado do Comité Central. Desde logo, o Partido (coloco em maiúscula para ser mais facilmente entendido para quem vive dentro da fita da cassete) quis que todos soubessem que só emitiu uma nota pública porque a isso foi quase obrigado: “A pedido de vários Órgãos de Comunicação Social, sobre o falecimento de Carlos Brito”. A ideia é clara: se ninguém tivesse perguntado, Carlos Brito não mereceria mais do que silêncio.
Mas piora. A nota é tão curta que nem envia as condolências à família, que é o mínimo que impõe a decência. Não diz que é um voto de pesar. De positivo, o PCP apenas se digna a “registar” o “seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar.” O que é, em parte, outro insulto. Ao dizer “nomeadamente no plano parlamentar”, os comunistas estão a ignorar a luta de Carlos Brito na clandestinidade. Estão a apagar — no mesmo estilo soviético e estalinista com que 100 anos antes da........
