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Trump faz olhinhos a Putin. Quem paga a conta?

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23.10.2026

As recentes declarações e decisões de Trump sobre a guerra da Ucrânia, ou não fazem sentido, ou estamos a olhar para o sítio errado.

Vistas de cá, parecem uma sucessão de escandalosos favores à Rússia. Trump critica os ataques às refinarias russas, suspende sanções acabadas de aprovar e trata de futuros negócios com Moscovo. Ao mesmo tempo, fulmina a Ucrânia com ameaças, acusações e restrições.

É verdade que Trump gosta de Putin, mas isso não basta como explicação. Há um racional que corre no fio da navalha e tem tudo para dar correr mal:

-A primeira parte é simples.

Trump quer acabar a guerra depressa e, por isso, pressiona quem pode pressionar. A Rússia não depende dos EUA para continuar a combater. Já a Ucrânia precisa de intelligence americana, comunicações, determinados sistemas de armas, defesa aérea e apoio diplomático. É feio, mas é  muito mais fácil pressionar Kiev do que Moscovo.

As últimas declarações de Trump dão conta desta lógica. Acusa Zelensky de não querer acabar a guerra e justifica as suas decisões, porque não quer fazer nada que “afaste estupidamente” a Rússia da mesa das negociações,

Mais do que a sua habitual brusquidão verbal, palpa-se o nódulo de uma importante alteração política. O Presidente americano diz publicamente que não convém irritar o agressor, e o agredido tem de ser pressionado a render-se.

Para a Casa Branca, esta guerra é apenas uma transacção comercial mal resolvida. Se a Ucrânia está a perder, deve aceitar e cortar as perdas. Se a Rússia pode não vir à mesa, é prudente não a irritar.

-A segunda ideia é mais rebuscada.

Washington parece considerar que uma Rússia sancionada, excluída e empurrada para os braços da China não serve os interesses americanos.

Faz sentido. Nixon aproximou-se da China para torpedear a URSS e Trump tenta a operação inversa, proporcionando a Moscovo razões económicas e estratégicas para se distanciar de Pequim. Mas arrisca-se a descobrir que aliviou a pressão sobre Moscovo sem a afastar de Pequim. A Rússia........

© Observador