O fim da compra da casa "para a vida"
A “casa para a vida” era mais do que uma escolha imobiliária. Era um objetivo de vida. Mas será que continua a ser? Olhando para as novas gerações, a resposta parece cada vez mais clara: não.
Não porque as pessoas tenham deixado de querer comprar casa — essa ideia está longe da realidade. O desejo de ser proprietário continua muito presente: os últimos Censos do INE mostram que 2,9 milhões de portugueses são proprietários das suas casas, ou seja, cerca de 70% dos alojamentos são detidos pelos seus ocupantes.
O que mudou foi a relação com a habitação. A compra de casa continua a ser uma ambição, mas deixou de ser necessariamente uma decisão para toda a vida. Passa a ser uma sequência de decisões que acompanha a evolução das pessoas e das famílias.
O primeiro apartamento à entrada no mercado de trabalho (apesar das conhecidas dificuldades de acesso que hoje estão mais evidentes). Uma casa maior com o primeiro filho. Uma mudança de cidade por motivos profissionais, uns anos no estrangeiro, o regresso a Portugal. Mais tarde, uma habitação mais eficiente ou próxima dos serviços essenciais. Cada fase da vida pede uma resposta diferente, porque as nossas vidas mudaram mais depressa do que o........
