Contrastes: Ainda Cabo Verde e Portugal
Vi Cabo Verde jogar contra a Argentina no Mindelo, em pleno cais marítimo, na rua e no meio da população de São Vicente. Vi um país fragmentado por ilhas, sotaques, distâncias e assimetrias juntar-se num só corpo. Cabo Verde perdeu no marcador. Ganhou no essencial. Ganhou na entrega, na humildade e na noção rara de que representar uma bandeira não é exibir-se. É servir.
A seleção cabo-verdiana não entrou em campo para cumprir calendário, preservar imagem ou alimentar contratos. Entrou para jogar. Sem vedetismos. Sem tiques. Sem a vaidade cansada de quem julga que o passado ainda ganha jogos. Em campo, foram onze contra onze. E Cabo Verde jogou de igual para igual. Menor? Nunca. Porque quando há compromisso, o talento cresce. Quando há equipa, o impossível fica mais próximo.
Portugal, pelo contrário, jogou para trás. No campo e fora dele. Jogou para trás na atitude, na ambição, na frescura e na leitura do momento. Uma seleção cansada, pesada, previsível, presa a nomes, egos,........
