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Como o historiador Nafafé nos conta a História

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06.06.2026

Afirmei no meu último artigo que estão a falsificar a história da escravatura, substituindo uma narrativa equilibrada e bem informada por outra estribada em fantasias, erros, mitos e omissões. Referi que, para isso, estão a ser utilisados vários métodos que, passando pelo apagamento propositado de acontecimentos, vão desde a imaginação fantasiosa à falsificação por ignorância e confusão de alguns historiadores woke. É este último aspecto que quero aqui abordar voltando a analisar declarações do historiador guineense José Lingna Nafafé, da Universidade de Bristol.

Em Dezembro de 2022 critiquei, na Análise Social, um livro desse historiador e mais recentemente, a propósito de uma entevista sua, voltei a criticá-lo no Observador. Nafafé nunca me respondeu, nunca contestou a minha argumentação e fez de conta que não leu as críticas. Está no seu direito, claro. O que já não está certo é que este historiador continue a verter para a opinião pública falsidades e enganos que decorrem não apenas de uma opção revisionista e reparacionista, mas também, ao que parece, de puro e simples desconhecimento dos factos.

Efectivamente, e com o intuito de fundamentar o seu confessado desejo de que os países europeus paguem reparações pela escravatura, José Nafafé procura estabelecer várias analogias que propiciem esse objectivo político. Algumas são surpreendentes. Diz ele que “as reparações fazem parte do quotidiano do ser vivo. Vivemos isso diariamente. Estamos com falta de saúde e vamos ao hospital para recuperar o que perdemos. A reparação é algo que faz parte da natureza humana”. Ou seja, a reparação por factos ocorridos há 200 ou mais anos seria, para Nafafé, uma espécie de medicina ou enfermagem histórica, a aplicar constantemente, o que, se seguissemos as suas ideias, nos levaria a defender a reparação “natural” ou “clínica” de todas as dores e feridas do passado, o que é absurdo.

Outras vezes as equiparações de José Lingna Nafafé procuram alicerçar-se nos próprios factos históricos numa tentativa de ganhar consistência e solidez. Segundo o Notícias ao Minuto, o historiador guineense afirmou recentemente o seguinte: “numa região da Guiné chamada Cacheu, Portugal deixou de fazer o tráfico de africanos porque Inglaterra (…) pagou a Portugal para deixar de o fazer durante 25 anos. O que é que Portugal recebeu? Foi uma indemnização, foi uma compensação”. Isso significaria que, por analogia, também........

© Observador