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Portugal em União de Facto com Espanha

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13.07.2026

Estive a semana passada no triângulo andaluz que junta Cádiz, o Porto de Santa Maria, Jerez e Sanlúcar de Barrameda, terra de xerez e de cavalos em Jerez, e de pesca, congelados e conservas que rivalizam com os gigantes da Tailândia nas outras três. Foi ali que me chegou a notícia de Dallas. Portugal perdera com a Espanha, na noite em que Cristiano Ronaldo se despediu dos Mundiais em lágrimas. Ninguém por ali pareceu surpreendido. Desde 1921, a Espanha já levava dezassete vitórias, dezoito empates e seis derrotas em quarenta e um encontros. Este foi o quadragésimo segundo. Seguiu o guião.

O resultado deu que falar em Jerez. Mas nem tudo por ali gira à volta do relvado. É essa outra Espanha, a que exporta carros, têxteis, polvo, atum, vinho e legumes para meio mundo, que devia ocupar mais os nossos governantes do que ver jogos do Mundial ao vivo, hábito que este ano já levou o primeiro-ministro a Houston, Toronto e Dallas, o presidente da Assembleia a Houston, e o Presidente da República a Miami, como se o dever de representar o país diplomaticamente dependesse de eventos desportivos. Pudera: um dérbi ibérico mexe com o sangue mais do que qualquer coisa. Vibramos e discutimos até à exaustão o resultado de domingo, mas raramente discutimos aquilo que somos todos os dias, em balanços trimestrais e participações accionistas, que a maioria dos portugueses sabe e finge não se interessar.

Um dos muitos exemplos dessa proximidade tem uma genealogia mais antiga do que muitos boletins comerciais. Remonta, pelo menos, a 1973. Em Jerez de la Frontera, um rejoneador chamado Álvaro Domecq Romero recebeu o Caballo de Oro e decidiu comemorá-lo com um espectáculo intitulado Cómo bailan los caballos andaluces. O espectáculo deu origem a uma escola, a Real Escuela Andaluza del Arte Ecuestre, negociada por Domecq directamente com o Ministério do Turismo espanhol para instalação no antigo Palácio do Duque de Abrantes. Seis anos depois, em 1979, o Ministério da Agricultura português, através de Guilherme Borba e João Costa Ferreira, criou a Escola Portuguesa de Arte Equestre para reconstituir uma Real Picaria extinta desde o século XIX. Duas respostas ao mesmo impulso barroco ibérico. Uma nasceu de um empresário do espectáculo a monetizar uma tradição. A outra nasceu de um........

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