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O imobiliário mudou. O Estado não

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25.06.2026

Senhor primeiro-ministro,

há poucas decisões tão importantes na vida de uma família como a compra de uma casa. É por isso que sempre me surpreendeu a forma como Portugal continua a tratar este processo.

Ao longo dos últimos anos, enquanto responsável por uma rede imobiliária que opera em diferentes regiões do país, acompanhei centenas de processos de compra e venda. Vi famílias concretizarem sonhos, proprietários venderem património construído ao longo de uma vida e investidores escolherem Portugal em detrimento de outros mercados.

Mas vi também demasiados negócios atrasarem-se durante semanas por informação contraditória entre organismos públicos, por divergências sobre áreas do mesmo imóvel, por interpretações distintas da mesma legislação ou, simplesmente, porque o sistema não conseguiu acompanhar a velocidade da realidade.

A pergunta que faço é simples: como chegámos aqui?

Portugal fala constantemente de habitação. O tema domina campanhas eleitorais, debates parlamentares e manchetes de jornais. Discutimos construção, licenciamento, impostos, crédito à habitação, arrendamento e investimento estrangeiro. Mas raramente discutimos o funcionamento do próprio sistema. E talvez esteja aí uma parte significativa do problema.

Nos últimos quinze anos, o imobiliário português transformou-se profundamente. Mudou o perfil dos compradores e dos investidores, mudaram as exigências dos consumidores, mudou a tecnologia e mudou a forma como promovemos os imóveis, analisamos mercados e prestamos o serviço de mediação.

O setor entrou definitivamente no século........

© Observador