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Exposição Acervo Alice Oliveira transforma memória LGBTQIA+ em patrimônio vivo no centro de São Paulo

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21.08.2026

A história do Brasil muda quando é contada a partir das dissidências sexuais e de gênero. Muda porque aquilo que durante séculos foi tratado como desvio, silêncio ou inexistência reaparece como presença histórica, política e cultural. É nesse ponto que a exposição Acervo Alice Oliveira, em cartaz no Museu da Diversidade Sexual de São Paulo até fevereiro de 2027, produz uma intervenção que ultrapassa os limites de uma mostra fotográfica.

O que está em exposição é uma parcela de uma memória que, por muito tempo, sobreviveu fora dos arquivos oficiais. São imagens, negativos, documentos e registros de encontros políticos que testemunham a organização dos movimentos lésbico, feminista e LGBTQIA no Brasil e na América Latina. Ao mesmo tempo, a mostra devolve à cidade de São Paulo uma parte de sua própria história.

Alice Oliveira, nascida em 1957 e criada no centro da capital paulista, é fotógrafa e ativista dos movimentos lésbico e feminista desde a década de 1970. Sua trajetória começou entre reuniões de militância, passeios, encontros e espaços de sociabilidade, especialmente na região do Bixiga. Integrante de coletivos pioneiros da organização LGBTQIA brasileira, como o Grupo Somos e o Grupo de Ação Lésbica Feminista, Alice passou a fotografar por volta dos 20 anos, movida pelo mesmo impulso de transformação social que atravessava sua militância.

Embora viva há mais de três décadas em Fortaleza, no Ceará, São Paulo permanece como uma cidade decisiva em suas memórias e em sua produção. Retornar agora à capital paulista com sua primeira exposição individual é também realizar um desejo cultivado durante décadas.

Uma memória guardada em caixas

A exposição está organizada em cinco núcleos e começa com uma entrevista em vídeo, na qual Alice Oliveira compartilha lembranças e reflexões sobre acontecimentos que atravessam sua trajetória.

Em seguida, o público encontra aquilo que deu origem material à própria exposição: os negativos.

Durante muitos anos, esses negativos foram praticamente a única forma de contato da fotógrafa com seu próprio acervo. Guardados em caixas que acompanharam sucessivas mudanças de cidade e de estado, foram preservados por Alice e por sua companheira de vida, Marcynha. Somente nos últimos anos passaram a ser objeto de pesquisa, catalogação e digitalização.

Há, nesse gesto de preservação, uma dimensão que ultrapassa a técnica. Os negativos sobreviveram porque alguém decidiu guardá-los. Porque alguém compreendeu que aquelas imagens, mesmo ainda sem reconhecimento institucional, carregavam uma história que não poderia ser perdida.

A valorização da materialidade da........

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