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Hora da verdade

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09.09.2026

Falta pouco para as eleições. Já se disse que elas não são corriqueiras, que há algo muito maior em jogo. Em meu entender de cidadão, para o Brasil, chegou a hora da verdade. Inexoravelmente, o país vai ter de escolher. Consciente ou inconscientemente. Consciente e inconscientemente. Vai ter de decidir qual será o seu caminho. Muito maior do que o caminho de Lula ou o caminho de Flávio Bolsonaro e de todos esses candidatos crapulosos que devem apoiá-lo, caso haja segundo turno.

Já não há mais tempo para análises e controvérsias sobre como e porquê chegamos até aqui – a hora da verdade. Invocá-las, seria cairmos de imediato na armadilha da fieira de razões e desrazões, que nos levariam a um emaranhado sem fim. O que importa é que estamos diante de dois caminhos, e só dois: Brasil soberano ou Colônia 2.0.

Seguindo à distância a conjuntura (pois de perto corremos o risco de enlouquecer, tamanha é a vertigem do que está em questão, ou, então, de nos perdermos na floresta de minúcias e detalhes, que também são importantes, mas nublam a percepção) não há como escapar do embate entre duas forças imensas que atravessam de alto a baixo o destino do país, mobilizando todas as suas instâncias – sociais, econômicas, políticas, culturais, raciais, jurídicas e, last but not least, institucionais e geopolíticas.

Queiramos, ou não, todas essas instâncias expressam o tamanho e a intensidade do conflito entre a força de um país que se recusa a morrer diante da evidência da ascensão da nova ordem mundial e a força de um país que já se encontra comprometido com a ordem emergente.

Não adianta tentar tapar os olhos. A lucidez obriga a perceber que o Brasil se encontra no centro do xadrez geopolítico mundial, junto com China, Rússia, Irã, Índia e, óbvio, Estados Unidos.  Não se pode incluir na lista a União Européia, pois ela tem dado crescentes demonstrações de irrelevância nesse cenário. E o mesmo vale para o Japão…

Nosso empedernido provincianismo, somado ao complexo de vira-latismo, nos impede de realizar esse fato, esse deslocamento incontornável. Olhando para o lado de nossas elites, não se sabe ao certo se isso decorre de má-fé a serviço da ignorância, ou vice-versa. Além disso, uma parcela importante dos brasileiros continua alheia ao assunto, ou insistindo em acreditar que o jogo não mudou. O mais estranho de tudo é que o Brasil, e suas eleições, estão na mira de Washington, Beijing, Moscou, Nova Delhi, Londres e nas capitais européias.

É evidente que os interesses externos, globais ou não, se somam ou se alinham com uma ou outra das duas forças em conflito internamente, alimentando-as em tudo o que podem – de forma aberta ou velada. Mas não é pela mídia ou pelos assim chamados comentaristas políticos que ficamos sabendo disso – com as exceções de praxe, é claro.

Deslocando-se para o centro do tabuleiro, o Brasil tornou-se questão prioritária da diplomacia mundial e até mesmo da guerra entre a hegemonia norte-americana e o multilateralismo. Afinal, seu destino pesa não só sobre todo o........

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