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A responsabilidade do eleitor está em xeque!

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02.10.2026

No domingo, as brasileiras, que correspondem a 52,84% de todo o eleitorado nacional, e os brasileiros escolherão o próximo presidente da República, governadores (27), deputados federais (513), senadores (54/dois terços da composição do Senado), deputados estaduais (1.035) e deputados distritais (24). É uma eleição que mobiliza uma parcela imensa do poder político do país. Estamos diante de uma das eleições mais importantes para o Brasil e seu povo. Nessa circunstância, a responsabilidade dos eleitores está, portanto, em xeque. Os destinos do país dependerão, em larga medida, da lucidez de cada brasileira e de cada brasileiro diante da urna.

Votar requer discernimento para distinguir a natureza das propostas e os interesses que elas efetivamente atendem. Favorecerão a redução da severa desigualdade social do país e uma distribuição mais justa da renda, ou preservarão privilégios e concentrarão ainda mais riqueza? Na economia, qual é o modelo defendido? Um Estado capaz de induzir desenvolvimento e reduzir desigualdades ou uma proposta ultraliberal de privatizações de serviços essenciais, de desmonte das políticas sociais e de redução de direitos? E, nas áreas de saúde, educação, trabalho, moradia, alimentação, transporte, saneamento e segurança, os programas apresentados vão de fato ao encontro das necessidades da maioria da população? Requer, ainda, olhar para a trajetória pessoal e política de cada candidato, seus envolvimentos ou relações com figuras suspeitas de diversos crimes, confrontar discursos com práticas, compreender quais interesses representa e quais consequências podem decorrer de suas escolhas.

Essa tarefa, porém, não se apresenta da mesma maneira para todos. Milhões de brasileiros chegam às eleições com diferentes condições de acesso à informação e de possibilidade de confrontar versões, verificar dados e conhecer em profundidade a trajetória de quem disputa uma eleição. Em muitos casos, a informação que chega é aquela compartilhada por familiares, amigos ou grupos de WhatsApp, misturada a opiniões, propaganda, desinformação e notícias falsas. Em 2026, quando o acesso à internet já alcança a quase totalidade dos domicílios brasileiros, ter acesso à informação não significa necessariamente ter condições de avaliá-la criticamente. Por isso, não se pode exigir de todos o mesmo grau de investigação nem ignorar as condições concretas em que cada brasileira ou brasileiro forma sua opinião. Ainda assim, dentro das possibilidades de cada um, é fundamental buscar informações confiáveis, desconfiar de afirmações extraordinárias e confrontar aquilo que recebe antes de transformá-lo em convicção. Sempre que possível, é importante saber quem financia os candidatos, a quem se vinculam e que grupos poderão ser beneficiados por suas decisões.

A responsabilidade do eleitor existe, mas ela precisa ser compreendida a partir das condições concretas em que cada eleitor exerce seu voto. Quanto mais desigual é o acesso à informação de qualidade, maior é também a responsabilidade daqueles que produzem, divulga e disseminam informação política. Entretanto, essa responsabilidade, com raríssimas exceções, mal se manifesta nos meios hegemônicos de comunicação, na chamada mídia corporativa. A seleção e interpretação dos fatos não raro refletem interesses econômicos e políticos dos grupos que os controlam, contribuindo para naturalizar a ordem existente e apresentar como inevitável aquilo que poderia e deveria ser questionado.

Em sentido contrário, as mídias progressistas, geralmente transmitidas pelo YouTube, com menor alcance, informam com rigor a partir da reprodução fiel dos fatos, sem manipulação, com pluralidade e responsabilidade, permitindo que seus usuários compreendam os acontecimentos a partir de diferentes perspectivas. Patrocinadas pelos próprios assinantes de suas comunidades, não estão submetidas aos interesses de patrocinadores comerciais. Sem receber ajuda pública, essa mídia cumpre o papel que deveria ser........

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