Canalhice
O tempo presente insiste em continuar a desnudar as entranhas do bolsofascismo, revelando sua práxis camuflada de corrupção sistêmica, sua lógica miliciana de ocupação do poder.
Os recentes vazamentos do caso Bolsomaster, das relações secretas e espúrias entre o senador Flávio Bolsonaro (O Zero Um), sua família e o banqueiro Daniel Vorcaro, da mesma forma como ocorreu à época da Operação Lava Jato, então capitaneada por Sérgio Moro, com amplo apoio logístico da Rede Globo, que induziu milhares de brasileiros e brasileiras a idiotamente eleger o então juiz falsário como um paladino midiático, demonstram claramente que não se trata de desvio de conduta individual ou mais um caso de fisiologismo de balcão. Trata-se de uma expressão acabada de uma engrenagem estrutural (mafiosa), desenvolvida pelo bolsofascismo, de submeter o Estado e a soberania nacional à rapina da extrema-direita brasileira.
Para ajudar a obter uma maior compreensão da natureza íntima desses últimos acontecimentos políticos e econômicos, resolvemos recorrer a uma clássica advertência do filósofo espanhol do século XX, José Ortega y Gasset, quando desenvolve seu pensamento sobre o tema da canalhice, em seu clássico “A Rebelião das Massas”.
Para o filósofo, o acanalhamento não é outra coisa senão a aceitação de uma irregularidade como estado habitual e constituído; de algo indevido que, apesar de incorreto, continua sendo aceito. Por não ser possível converter em sã normalidade o que é criminoso e anormal em sua essência, o canalha opta por ele se adaptar ao indevido, fazendo-se completamente homogêneo ao crime ou irregularidade que carrega, para favorecê-lo em suas negociatas.
Sobre a canalhice é aplicado integralmente o adágio popular: “Uma........
