O que a Fifa realmente ganha ao vender parte da Copa do Mundo
O que a Fifa realmente ganha ao vender parte da Copa do Mundo
"A alma e a governança do futebol não estão à venda". É assim, de forma dura, que a Uefa — órgão que dirige o futebol na Europa — se posiciona contra o mais recente projeto da Fifa: o de criar uma nova empresa para organizar os principais campeonatos da entidade máxima do esporte, incluindo a Copa do Mundo, passando a ser também responsável pelos direitos comerciais.
Na prática, isso abriria o ápice do esporte mais popular do mundo a investidores.
A notícia se tornou pública após reportagem do site The Athletic, pertencente ao jornal The New York Times, que detalhou os planos do presidente Gianni Infantino. Não demorou para que o projeto provocasse discussões e exaltasse os ânimos — a ponto de a Uefa ameaçar boicotar as próximas edições do mundial, que terá o Brasil como país-sede na edição feminina e justamente Portugal e Espanha, ao lado de Marrocos, na masculina.
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Por conta disso, a organização europeia convocou uma reunião emergencial para esta quinta-feira (30). Contudo, a questão é muito mais profunda do que simplesmente a "venda do futebol".
Para começar, a Fifa — sigla para Federação Internacional de Futebol — é uma entidade, no papel, sem fins lucrativos. Fundada em 1904, ela originalmente tinha não só o objetivo de regular o esporte bretão em todo o planeta, mas também o propósito de difundi-lo. Foi com isso em mente que, em 1930, o então presidente da organização — Jules Rimet — idealizou a primeira edição da Copa do Mundo.
Passados quase 100 anos, o mundial tornou-se o maior evento televisivo do planeta — superando, por exemplo, os Jogos Olímpicos. Contudo, no lado financeiro, a realidade não é exatamente essa. Em 2026, quando as linhas que separam o esporte do entretenimento estão mais turvas, esse é um problema comercial.
De acordo com a Sports Value, a Copa de 2022 obteve um faturamento de US$ 6,2 bilhões — um crescimento em relação aos US$ 5,3 bilhões da edição disputada na Rússia, em 2018. Mais do que isso: o torneio era, sozinho, a única grande receita da Fifa — ocorrendo apenas a cada quatro anos.
Contudo, o estudo — realizado em 2024 — apontou que uma temporada da NFL, a liga de futebol americano, faturava US$ 19,2 bilhões. A MLB, liga norte-americana de beisebol, tinha uma receita de US$ 11,6 bilhões. Já as Olimpíadas, com competições a cada dois anos (alternando entre jogos de verão e inverno), recebiam US$ 10,8 bilhões no ciclo de quatro anos.
A Copa ocupava apenas a sétima posição........
