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A pátria de chuteiras e os insuportáveis ecos da escravidão contemporânea

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04.07.2026

A pátria de chuteiras e os insuportáveis ecos da escravidão contemporânea

Jogadores a postos. A torcida quase toda branca - impossível ignorar - e devidamente trajada em verde-amarelo entoa orgulhosa o hino nacional brasilleiro, balbuciado até mesmo pelo técnico estrangeiro da seleção. Nos intervalos, e a depender de onde você estiver assistindo ao jogo, a imposição irresponsável do espectador ao risco das bets.

No último jogo da fase de grupos, os três gols marcados por jogadores negros contra uma seleção europeia reacenderam alguma esperança em quem torce pela conquista do hexacampeonato do Brasil na Copa do Mundo de 2026. Mas foi após o gol do Japão, na segunda (29), que os brios da nação se viram ameaçados e, embora inicialmente afetado pelo terror ante o risco da derrota, o time verde-amarelo recobrou a confiança no futebol-arte e na garra de que é capaz, trazendo a campo uma vitória daquelas sofridas e que muito nos inspira a perceber sobre nossas potências.

O momento de felicidade, contudo, é atravessado de inquietações. Não apenas pelos desafios das próximas fases do campeonato. É que os sentidos de ser brasileira(o) nessas horas são afetados quando, longe de uma possível "alienação" diante do espetáculo esportivo, a participação da nossa seleção catalisa reflexões ante outros aspectos da realidade fora do campo.

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O embargo na garganta de muitos de nós durante o hino é, nesses momentos, uma emoção por vezes contrariada. Pois é marcada pela consciência das muitas dores que também nos constituem como sociedade, frente ao espetáculo da mobilização dos símbolos de um nacionalismo historicamente construído e sustentado às custas de gravíssimas violações à humanidade e à vida de brasileiros e brasileiras sobre quem ainda pesam atávicas práticas de exploração legadas pelo sistema escravista.

Mas há quem, iludido, considere exagero........

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