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Silêncio de Trump foi estratégia para não favorecer Lula, diz Ian Bremmer

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Silêncio de Trump foi estratégia para não favorecer Lula, diz Ian Bremmer

O desfecho do segundo turno das eleições brasileiras é acompanhado de perto em Washington, onde o presidente americano, Donald Trump, adota uma postura cautelosa. Para Ian Bremmer, fundador e diretor da consultoria de risco político Eurasia Group, o silêncio do republicano na reta final foi uma estratégia acertada tanto para a Casa Branca como para o bolsonarismo.

Foi sensato por parte dos Bolsonaros sugerir que Trump ficasse em segundo plano. E acho que foi sensato que Trump seguisse esse conselho, assim como a orientação de seus próprios assessores na Casa Branca, para não ser visto como participante da campanha.

Em entrevista ao UOL, Bremmer analisa o impacto das eleições na relação bilateral, o papel da família Bolsonaro nos EUA, os cenários sob Flávio Bolsonaro (PL) ou Lula (PT), e os desafios globais da desinformação.

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O silêncio estratégico de Trump

Desde julho de 2025, o governo de Donald Trump adotou uma postura dura contra a gestão Lula, com destaque para a imposição de tarifas comerciais globais (o "Liberation Day"). Na reta final da campanha brasileira, porém, Trump silenciou. Por que essa mudança de postura e qual é o real peso desta eleição para a Casa Branca?

Trump antagonizou muitos líderes de países ao redor do mundo, incluindo alguns de seus amigos mais próximos, como os canadenses e os europeus. Não é apenas o Brasil. Mas é verdade que, como parte das tarifas do chamado "Liberation Day"[2 de abril de 2025, data em que o presidente dos EUA assinou uma Ordem Executiva lançando uma agressiva e histórica onda de tarifas alfandegárias globais], o Brasil foi atingido com bastante força. E a disposição de continuar pressionando o Brasil tem sido alta.

Os dois presidentes divergem em quase tudo. Trump é muito ligado a Jair Bolsonaro —que tentou contestar a transição democrática e cumpre prisão domiciliar— e sua administração tem interlocução constante com Eduardo Bolsonaro, que atuou ativamente nos EUA em favor do pai e da candidatura do irmão, Flávio Bolsonaro. Seria natural que Trump interferisse publicamente na disputa.

Além disso, a América Latina vive uma onda de vitórias da direita focada em segurança e austeridade fiscal —como na Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Trump........

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