O País real
As ruas já estão diferentes. Com o fim do Verão, já se nota que as pessoas estão a retomar a sua atividade normal. Há escolas a reabrir portas, mais trânsito, mais gente nos passeios, restaurantes com mais procura. Enfim, a rotina a reinstalar-se. O regresso traz também irritações. A selvajaria das trotinetas, que toma conta das ruas, tanto no asfalto como nos passeios, é uma delas. Já é tempo de se pôr cobro ao caos, aos encontrões, aos atropelamentos e ao desrespeito pelos direitos dos outros. Na zona onde vivo, por exemplo, é escandalosa a forma como se despreza o bem estar dos moradores, que tropeçam em parques informais de estacionamento de trotinetas, as quais, escandalosamente, conquistam espaço que não lhes deve nem pode pertencer. Os caçadores de multas observam, mas nada fazem.
Dirão que é um assunto menor, para começar este texto. Sim e não. Atrevo-me a afirmar que, para o comum dos cidadãos, este caso é bem mais interessante do que o dossier Luís Neves e as arremetidas previsíveis de André Ventura. Os políticos deveriam descer ao mundo real para perceber o que realmente preocupa as pessoas, no seu dia a dia. Não pretendo com isto retirar importância ao que se passa com o ministro da Administração Interna, pois é matéria que fere a confiança que tem de se estabelecer entre governantes e governados. A transparência e a retidão de procedimentos são fatores essenciais numa sociedade que se paute pela observância de princípios em que a honestidade e a ética se assumem como faróis comportamentais. O informalismo e a descontração na gestão daquilo que é público – e,........
