O Matuto e os Eufemismos
O Matuto cresceu convencido de que as palavras serviam para dar nomes aos bois. Uma árvore era uma árvore. Um jacaré era um jacaré. Uma tempestade era uma tempestade. Um gato era um gato. E um gatuno era um gatuno. Parecia-lhe um sistema perfeitamente funcional.
Ultimamente, porém, começou a desconfiar que os dicionários passaram a ser escritos por departamentos de relações públicas. Já ninguém mente. Constrói narrativas. Ninguém censura. Modera conteúdos. Ninguém despede. Procede a uma reestruturação de recursos humanos. Ninguém falha. Enfrenta desafios. E, ao que parece, também já ninguém invade nada. Apenas procura ‘asilo político’.
O Matuto tentou acompanhar a modernidade.........
