O poder tem pai. O fracasso é filho de ninguém
Há uma frase de que aprendi a desconfiar: "A partir de agora, já não é comigo."
Ouço-a em reuniões, em empresas, em famílias e, cada vez mais, na vida pública. Costuma aparecer depois de uma decisão correr mal. Até ao dia anterior havia autoridade, vontade de mandar e assinatura em baixo de tudo. Quando chega a hora de responder, descobrem-se os limites da função com uma rapidez suspeita.
Entregamos as chaves e pensamos que entregámos também as consequências. Não entregámos.
Já errei ao decidir sem ter todos os dados. Já confiei em quem não devia. Já esperei tempo a mais para intervir e, noutras ocasiões, avancei cedo demais. Quem decide vai errar, isso não tem volta. Só não erra quem passa a vida a comentar as decisões dos outros, e mesmo esse erra por nunca se comprometer com nada.
Nem todos os erros são iguais. Há decisões honestas que correm mal e há negligências que, mais tarde, são apresentadas como azar. Não vale misturar as duas coisas. Mas, em ambos os casos, há algo que torna tudo pior: o esforço posterior para provar que nada nos pertence.
Tornámo-nos........
