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As mulheres decidirão esta eleição

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25.09.2026

As pesquisas indicam que a eleição presidencial será decidida por uma diferença mínima. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados, enquanto uma parcela expressiva do eleitorado feminino ainda se declara indecisa ou inclinada a votar em branco ou nulo. Quando duas candidaturas chegam tão próximas à reta final, esse grupo passa a definir o resultado. Por isso, mais do que uma frase de efeito, a conclusão se impõe: as mulheres decidirão esta eleição.

A campanha de Lula precisa compreender, contudo, que essas eleitoras não formam um exército silencioso à espera de uma ordem. Muitas têm críticas ao governo, dúvidas sobre o futuro e cansaço diante de uma polarização que parece exigir fidelidade absoluta. Não querem ser tratadas como extensão de partidos, maridos, igrejas ou grupos políticos. Procuram uma razão concreta para participar de uma disputa na qual talvez não se sintam plenamente representadas.

É nesse ponto que as reflexões de Jonah Berger ajudam a compreender o desafio. Em “Palavras Mágicas”, Berger mostra que as palavras não apenas descrevem decisões; elas interferem na maneira como as pessoas percebem a si mesmas. Há uma diferença importante entre pedir que alguém pratique uma ação e convidá-lo a reconhecer uma identidade. “Votar” designa um ato; “ser uma pessoa que decide” expressa autonomia, responsabilidade e pertencimento.

Durante anos, o bolsonarismo construiu identidades políticas resistentes aos fatos. Seus seguidores não se apresentam apenas como eleitores de um candidato, mas como “patriotas”, “conservadores” e “cidadãos de bem contra a corrupção”. Quando essa identidade se consolida, denúncias e investigações envolvendo seus líderes já não são examinadas........

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