A lei da burqa chega a Silves
Quando a senhora na bilheteira da Sé de Silves me disse, num tom triunfante, que eu não podia entrar, fiquei perplexa. Quando me explicou porquê, passei a um estado de choque, seguido de uma torrente de indignação, que ainda não me deixou. Estava barrada, anunciou, porque tinha metade dos ombros e os dois joelhos à mostra.
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Perante a minha estupefação, sacou de um placard com o “dress code” que o senhor prior ordenou que executasse. “Em Fátima também existe. Não se cumpre, mas aqui estou eu!”, disse-me satisfeita consigo própria, enquanto ia mandando embora os turistas que, numa manhã de Julho e no Algarve, usavam obviamente calções.
Meia aparvalhada, tirei da mochila um casaco de malha (sim, hábitos de sintrense), cobrindo as minhas pecaminosas omoplatas e a senhora, num gesto de boa vontade, propôs emprestar-me um outro casaco para “Por à cintura e tapar as pernas!”.
Perguntei-lhe se Silves tinha voltado a ser uma taifa muçulmana; protestei, sentidamente, que era ofensivo este retrocesso civilizacional numa catedral com a tradição de um bispo medieval tão corajoso como foi D. Fernando Coutinho, que se opôs aos batismos forçados pelo rei D. Manuel I, defendendo que........
