Na terceira margem do rio
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Tempos atrás, enquanto bebia café com algumas colegas brasileiras, todas imigrantes, eu disse: “Não quero ser o imigrante clichê que diz, quase que em tom de desprezo, não sentir nenhuma saudade do Brasil; ou aquele que diz, efusivamente, como se carregasse consigo um traço orgulhoso de superioridade sentimental, que sente muita saudade do Brasil". E minha colega respondeu: “Mas tu podes não sentir nenhuma saudade do Brasil, ou sentir muita saudade do Brasil, sem sentir desprezo ou superioridade sentimental”. Após ouvi-la, por alguns minutos, minha atenção pairou, abstrata e aliviada, entre nós, como se fosse dificílimo apreender aquilo que minha colega havia dito de forma tão simples e direta.
Só depois pensei. Na selvageria binária das nossas relações cotidianas, seja nas redes sociais, seja pessoalmente, parecemos........
