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A lição esquecida de Nelson Mandela

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12.08.2026

Em tempos de democracias polarizadas, guerras culturais e identidades em permanente confronto, Nelson Mandela regressa frequentemente ao espaço público como um símbolo de reconciliação. Mas talvez essa seja, precisamente, a forma mais cómoda de o recordar: transformando-o numa figura moral consensual, desprovida da radicalidade política que marcou o seu pensamento e a sua ação.

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A verdadeira originalidade de Mandela não residiu apenas na capacidade de perdoar os seus adversários nem na extraordinária serenidade com que conduziu a transição democrática da África do Sul. O seu maior legado foi outro: mostrar que uma democracia só pode sobreviver quando consegue construir uma comunidade política fundada numa humanidade comum, sem negar a história, mas recusando que ela determine para sempre o futuro.

Esta lição parece hoje particularmente esquecida.

Vivemos um tempo paradoxal. Nunca as democracias atribuíram tanta importância ao reconhecimento das diferenças culturais, religiosas, étnicas ou de género. E, no entanto, nunca pareceram tão incapazes de produzir um sentimento de pertença coletiva. À medida que as identidades se tornam o principal idioma da política, o espaço do comum vai-se estreitando. A cidadania fragmenta-se em comunidades que competem entre si pelo reconhecimento, enquanto a ideia de um destino partilhado perde força.

Mandela conhecia profundamente esta armadilha. Cresceu numa........

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