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Eu gostava de perceber

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21.09.2026

Portugal tem hoje mais de 448 mil estudantes no ensino superior. Este número ajuda a perceber a dimensão do sistema, mas é fundamental reconhecer que o contexto demográfico está em profunda mudança. Apesar do crescimento recente da população residente, em grande medida devido à imigração, as projeções para as idades tradicionais de ingresso no ensino superior apontam noutra direção.

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Um estudo recente sobre evolução demográfica e ensino superior projeta uma redução de cerca de 41% da população entre os 18 e os 20 anos entre 2021 e 2041 — estimando já menos 29.705 jovens de 18 anos em 2031 do que em 2021 —, mesmo considerando a componente migratória. A evolução será, naturalmente, diferente de território para território.

É, portanto, num país cuja população voltou recentemente a crescer, mas em que a população nas idades tradicionais de ingresso tenderá a diminuir, que devemos pensar a rede de ensino superior das próximas décadas.

E temos de o fazer sabendo que a rede que hoje existe foi, em grande parte, construída num país diferente, que precisava de aumentar rapidamente as suas qualificações e alargar o acesso ao ensino superior. Essa expansão foi uma enorme conquista e teve um papel decisivo na transformação do país e dos territórios.

Mas não foi apenas a demografia que mudou. Mudou a mobilidade dos estudantes, aumentou a internacionalização e mudaram também as próprias instituições.

É neste novo contexto que eu gostava de perceber como estamos a pensar a evolução da rede pública de ensino superior portuguesa.

Portugal construiu um sistema binário, assente em universidades e politécnicos com missões distintas e complementares. Entretanto, os politécnicos qualificaram os seus corpos docentes, desenvolveram investigação, internacionalizaram-se e alargaram a sua oferta formativa. É perfeitamente legítimo que instituições que fizeram esse percurso ambicionem um novo estatuto.

Mas há questões que não devem ser confundidas.

Uma instituição ter qualidade,........

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