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A Igreja Católica, a Imigração e a Caridade, outrora Cristã

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monday

1. A entrada massiva de cerca de 70.000 migrantes, no passado mês de julho, na cidade espanhola de Ceuta (a que muitos chamaram de “invasão”), desencadeou uma profunda crise política, humanitária e diplomática na fronteira entre Espanha e Marrocos, escalando o debate público sobre o tema da imigração e controlo de fronteiras. Uma casa pode acolher o necessitado que chega porque, precisamente, possui paredes que a sustentam, janelas por onde entra a luz e portas por onde entrar. Se as paredes são destruídas, se se nega ao dono da casa o direito de a proteger, e ainda se lhe exige que retire portas e janelas, então já não existe hospitalidade alguma, pois também já não existe uma casa que possa ser sinal de acolhimento. As fronteiras não são, tal como os demagogos e manipuladores sociais querem fazer crer, um sinal de ódio, ou hostilidade ao estrangeiro; elas são, precisamente, sinal e condição da nossa hospitalidade. Uma fronteira aberta deixa de ser fronteira, (tal como uma casa sem porta deixa de ser casa). E sem portas e fronteiras não há casas nem países. Sem portas e fronteiras não há acolhimento; há ocupação, assalto, intrusão, violação… há invasão. Portas e fronteiras têm também uma dimensão moral (não apenas física): elas protegem não apenas a casa e o país, mas também a forma (que não é neutra) de compreender as relações humanas, o mundo e a realidade.

2. O primeiro aspecto a sublinhar é que a tragédia que se desenrola em Ceuta não configura uma típica crise migratória (como em Lampedusa, por exemplo). As investigações e relatórios oficiais confirmam que, no caso de Ceuta, dezenas de milhares de pessoas, vítimas de uma massiva campanha de desinformação nas redes sociais, foram atraídas e empurradas em direção à fronteira espanhola (que alegadamente estaria aberta) sob falsas promessas de uma vida melhor. O resultado foi trágico: quase 100 mortos, para não falar da violência e caos generalizado nas ruas de Ceuta. Como sabiamente referiu o presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Dom Luis Argüello, “a biopolítica é fundamental no atual poder mundial. Brinca-se com a vida e utilizam-se as pessoas — seus sonhos, fome, sexualidade e dados — em prol do lucro e do poder. As migrações fazem........

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