A superioridade moral canhota
É transversal à esquerda um sentimento de superioridade moral sobre a direita, seguindo, paradoxalmente, a conhecida lógica cavaquista, segundo a qual duas pessoas bem intencionadas deveriam chegar à mesma conclusão sobre um determinado assunto. Nada mais errado.
A esquerda e a direita, e as suas várias declinações ideológicas, como o comunismo, socialismo, liberalismo, social-democracia, conservadorismo e quejandos são, não raras vezes, caminhos diferentes para chegar ao mesmo lugar. E, ao contrário da mensagem de largos setores da esquerda, ninguém ganha nada com a pobreza alheia, e também ninguém o deseja!
Os setores mais à esquerda arrogam-se defensores dos menos favorecidos como que sendo os únicos com efetiva preocupação por tais camadas da população. Se assim fosse, estes setores da população, que são maioritários, votariam esmagadoramente na esquerda e arredariam a direita do poder, todavia, tal não ocorre, porque será? Será culpa do povo?
Muitas das reacções às recentes declarações do Ministro da Educação são um exemplo paradigmático de um desfazamento entre os nobres propósitos proclamados pela esquerda, que são contrariados pela sua ação política. O senhor ministro Fernando Alexandre fez uma declaração na defesa da escola pública e dos menos favorecidos, tendo dado uma breve aula sobre como promover o elevador social. Na sua intervenção, preconizou a mistura de classes sociais, não promovida pela atual lógica de isolamento dos alunos menos favorecidos em residências universitárias não frequentadas por classes mais favorecidas, e explicou que tal mistura seria importante como alavanca do elevador social, elemento chave de qualquer política de coesão social. Na mesma intervenção, reforçou ainda a sua opinião, advogando que quando os serviços públicos são utilizados apenas pelos menos favorecidos, estes tendem a degradar-se, não necessariamente por serem mal cuidados, mas sobretudo pela falta de aposta política........
