Carta de amor ao Minho e à Romaria
Um dia, cruzei-me com um vulto «da bolha». Impôs-se, da minha parte, claro, uma apresentação. O compatriota começou a trocar os «b» pelos «v» e, não satisfeito, anunciou à sala que «em Viana bebem todos vinho de malga». Horrorizado com a habilidade do bonacheirão, ousei corrigir: «desculpe, não é vinho no geral, é tinto verde, o Porto, por exemplo, é em cálice, mas, já agora, não bebemos só na malga, enfiamos mesmo o polegar lá dentro para a segurar melhor». Isso o conviva não pôde consentir. Era cedo de mais para perceber o sarcasmo. As boas maneiras permitem elevar-se acima do suburbano, mas nunca meter uma falange dentro de um mini alguidar de barro. Era o que faltava. Que horror. Hoje, pensando bem, podia ter respondido com a letra da Chula: «O anel que tu me deste nem o dei, nem o vendi. Deitei-o da ponte abaixo. Também te deitava a ti».
Gosto de ser de Viana, do Alto-Minho e da Romaria da Senhora d’Agonia. Gosto que me perguntem sempre porque é que não trouxe bolas do Natário. Não gosto do Minho visto como «Portugal de Postal», servil, domesticado, reverente. Gosto do Minho........
