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A crise da habitação não se resolve só com casas

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A habitação tornou-se um dos principais problemas económicos e sociais de Portugal. O aumento dos preços das casas e das rendas tem dificultado o acesso à habitação para um número crescente de famílias, afetando não apenas os grupos tradicionalmente mais vulneráveis, mas também uma parte significativa da classe média, que vê o acesso à habitação condigna tornar-se progressivamente mais difícil.

Perante esta realidade, o debate público tende frequentemente a dividir-se entre duas posições simplistas.

Por um lado, aqueles que defendem que o problema se resolve construindo mais habitação. Por outro lado, aqueles que acreditam que a solução passa por regular administrativamente os preços. A realidade, contudo, é mais complexa.

Uma análise económica sugere que a crise da habitação resulta da interação entre fatores de procura, fatores de oferta e de uma, muitas vezes esquecida, terceira dimensão que é a da mobilidade.

O problema não é apenas falta de casas

À primeira vista, pode parecer paradoxal falar de crise da habitação num país em que, nas últimas cinco décadas, o número de habitações aumentou de cerca de 2,2 milhões para mais de 4,1 milhões.

Contudo, este crescimento do parque habitacional não se traduziu automaticamente numa melhor resposta às necessidades habitacionais da população. Com efeito, diversos estudos apontam que Portugal não sofre de uma escassez absoluta de alojamentos, mas sim de um problema de distribuição territorial na medida em que muitas habitações se encontram em zonas onde a procura é reduzida, enquanto as áreas metropolitanas e os polos de emprego registam uma procura muito superior à oferta disponível.

Assim, e em termos simples, não basta existirem casas. É necessário que essas casas estejam localizadas onde as pessoas trabalham, estudam e desenvolvem a sua vida quotidiana.

A procura mudou profundamente e a oferta cresceu pouco

Nas últimas décadas ocorreram alterações demográficas significativas que modificaram a procura de habitação.

Na realidade, se por um lado, aumentou fortemente o número de famílias constituídas por uma ou duas pessoas, por outro, diminuíram as famílias numerosas o que significa que a procura deixou de se concentrar em habitações de maior dimensão, verificando-se hoje uma necessidade crescente de apartamentos de menor dimensão, particularmente tipologias T1 e T2.

Ao mesmo tempo, Portugal........

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