A infância como primeiro território de cidadania
Com o início de mais um ano letivo, regressamos ao ponto onde tudo começa: a infância, o primeiro território onde se aprende a viver em comunidade.
A discussão sobre cidadania costuma começar demasiado tarde. Falamos dela no ensino básico, nos currículos, nos projetos de escola ou nos debates sobre participação juvenil. Mas esquecemo-nos de que a cidadania não nasce na adolescência nem na idade adulta. Nasce na infância, no primeiro território que cada criança habita antes de ler o mundo: o quotidiano do jardim de infância.
Esta ideia foi também transformando a minha prática pedagógica. Se, inicialmente, muitas propostas partiam do adulto e daquilo que estava previsto trabalhar, fui percebendo que as aprendizagens ganhavam outra força quando começavam nas perguntas das crianças e se ligavam ao mundo real. Passei a olhar para a curiosidade infantil não apenas como ponto de partida para uma atividade, mas como uma oportunidade para investigar, decidir, participar e agir.
A infância é o espaço onde se aprende aquilo que nenhum manual ensina: cuidar de si, cuidar dos outros, esperar a vez, resolver conflitos com palavras, reconhecer que as ações individuais têm impacto coletivo. Estes gestos simples são, na verdade, os alicerces da cidadania democrática. E são aprendidos muito antes de qualquer disciplina formal.
Por isso, defender a educação de infância é defender a primeira escola de cidadania. Não porque as crianças precisem de conceitos abstratos, mas porque precisam de experiências reais que lhes permitam compreender o mundo e nele intervir. Quando uma criança ajuda um colega a atar o........
