Uniformizar para excluir: quando o Estado decide quem pode a
Até ao momento, e de forma geral, tenho apreciado as várias medidas adotadas pelo atual Ministro da Educação, Ciência e Inovação. Tem havido um esforço visível de reforma e de tentativa de modernização do sistema, com iniciativas que procuram responder a desafios estruturais há muito identificados.
Contudo, a recente discussão sobre a definição de critérios de acesso ao ensino superior, incluindo níveis “adequados” de literacia, numeracia e proficiência em língua inglesa, inquieta-me e levanta questões importantes sobre o futuro do sistema educativo. À primeira vista, estes requisitos parecem alinhados com as exigências de uma sociedade baseada no conhecimento e com a necessidade de preparar estudantes para um contexto global. No entanto, o problema não está tanto no conteúdo dos critérios, mas sim na ideia de que devam ser definidos de forma centralizada, como se todas as instituições e todos os percursos académicos........
