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O que é um autor na idade da IA? Um pequeno exercício

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09.09.2026

A partir de que ponto é que alguém que use um LLM para escrever um texto pode deixar de dizer que o texto é seu ou apenas seu? Alguns farão como o jesuíta da velha anedota e responderão à pergunta com outra pergunta, a saber: O que é que isso importa?

E pur, importa. Antes dos LLMs, e ressalvado o caso de plágio, o texto publicado em nome próprio era um instrumento de revelação pessoal, mesmo quando, ou até porque, não completamente subordinado ao seu autor. O texto comunicava sempre além de si mesmo: era uma sinalização da personalidade e das qualidades de quem o escrevia. Esta sinalização é essencial a todo o processo formal de avaliação por texto, como no caso dos trabalhos académicos, mas desempenha, na verdade, uma função muito mais vasta na interacção social. O recurso extensivo aos LLMs para escrever, que pode significar, no limite, encomendar-lhes o texto, interfere com este sistema de sinalização.

Este facto permanece mesmo perante desconstruções dos conceitos de autor e de autoria, em que geralmente nos citarão, para nossa edificação, Barthes e Foucault, e diante de argumentos mais prosaicos como o de que, no uso de LLMs, e diferentemente do que sucede nos casos de plágio, não existe um lesado. Todas estas teorias aparecem neste contexto sobretudo como racionalizações para a prática de assinar textos que se não escreveu. Se bem que a ética da utilização destes recursos esteja ainda em concepção, parece-me seguro dizer que teremos de qualificar grande parte dos exemplos destes primeiros tempos como fraudes ao leitor, ao editor e, mais do que tudo, ao próprio subscritor dos textos, desculpável apenas porque (parafraseando Peter Medawar sobre Chardin) para iludir os mais, precisou antes de se iludir a si mesmo.

O êxito dos LLMs na produção de texto estava........

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