O silício não é imaterial
A retaliação de Pequim à escalada de tarifas de Washington, em abril de 2025, não incidiu sobre os mercados de dívida americana. Foi cirúrgica e material: a China armadilhou o seu domínio sobre as terras raras e os minerais críticos, exportando controlo sobre cadeias de
abastecimento que sustentam desde sistemas de defesa a infraestruturas de inteligência artificial. Não foi um desvio táctico. Foi a consolidação da weaponized interdependence, a transformação das dependências logísticas em instrumentos de coerção. Se há uma lição que este episódio impôs à Europa, é que a próxima linha de frente já tem endereço: a infraestrutura que alberga os seus dados e alimenta os modelos que, progressivamente, gerem os seus Estados.
Os pontos de estrangulamento (chokepoints) do poder deixaram de ser exclusivamente marítimos. O novo chokepoint é digital, mas assenta em pilares profundamente físicos: capacidade de processamento, acesso a energia, sistemas de arrefecimento, cabos submarinos. É aqui que a Europa encontra a sua maior vulnerabilidade estrutural, perigosamente dependente de fornecedores não europeus para tecnologias que mantêm hospitais a funcionar, redes energéticas estáveis e serviços críticos operacionais. É também aqui que Portugal ocupa uma posição estratégica incomum. A inauguração do SIN01 em........
