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Outra mulher

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23.10.2026

Pergunto-me se todos desejamos, de vez em quando, ser outras pessoas. Ter outro nome, outra cara, outro corpo, outra vida. Estamos presos à nossa forma e conteúdo e podemos vivê-lo como uma prisão. Não me refiro a querermos melhorar-nos, alterar-nos, fortalecer-nos. Mas a deixar de ter esta cara e passar a ter outra. Deixar corpo e história para trás e irmos ser outras pessoas. Aliviar-nos da nossa dor e tentar, por uns dias, viver sem ela noutra carcaça. O facto de não podermos fazê-lo pode ser vivido com sofrimento. Querer jogar fora o que está a mais: não podemos. Querer esquecer: não nos é permitido.

Alguns imaginam que o tempo é o único antídoto para essa prisão, aliado do........

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