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O subsolo da soberania

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16.09.2026

Durante muito tempo, terras raras foram, para mim, uma expressão do noticiário cujo significado conhecia apenas pela superfície. Como muitos brasileiros — e uma parcela considerável de nós, jornalistas — sabia que estavam presentes em celulares, carros elétricos, turbinas e equipamentos militares. Sabia também que o Brasil possuía reservas gigantescas. Entre uma informação e outra existia um território científico, industrial e geopolítico que conhecia muito pouco.

Nos últimos dois anos, tenho procurado diminuir parte dessa ignorância. Li relatórios geológicos, estudos sobre processamento, trabalhos técnicos e acompanhei com mais atenção o noticiário internacional. A investigação acabou levando a uma constatação impressionante: o Brasil detém hoje a segunda maior reserva conhecida de terras raras do planeta. Segundo o USGS, são cerca de 21 milhões de toneladas, atrás somente das 44 milhões da China.

Essa posição, por si, deveria colocar o tema entre as prioridades estratégicas brasileiras. Mas as leituras foram me conduzindo a uma pergunta menos triunfalista. 

De que maneira uma riqueza enterrada se transforma em indústria, pesquisa, empregos de alta qualificação, patentes e capacidade de decisão? A resposta começa muitos quilômetros depois da escavadeira.

Terras raras formam um grupo de 17 elementos. Entre eles estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para ímãs de altíssimo desempenho. A dificuldade começa pela própria química: esses elementos costumam aparecer misturados e possuem características tão semelhantes que sua separação exige processos complexos.

Primeiro vêm levantamento geológico, perfuração, lavra, britagem, moagem e concentração. O material segue para craqueamento e lixiviação, usando reagentes capazes de colocar os elementos em solução. 

Depois começa a etapa delicada da separação química. Surgem os óxidos individualizados; estes seguem para refino, transformação em metais, produção de ligas e pós magnéticos. O pó é prensado e submetido a aquecimento controlado até adquirir estrutura sólida, recebe tratamento térmico, usinagem e revestimento. A cadeia termina nos ímãs permanentes que vão parar em motores, robôs, turbinas, satélites, equipamentos médicos e centros de dados.

Aprender esse percurso modificou minha maneira de enxergar a mineração. Durante muito tempo, acostumamo-nos a celebrar a descoberta da jazida. 

Nas terras raras, a jazida representa a primeira estação de uma viagem muito mais longa. A prosperidade industrial depende do número de etapas que o país consegue realizar dentro de suas fronteiras.

Também comecei a prestar mais atenção ao dinheiro. Estudos de viabilidade registram custos operacionais entre US$ 20 e US$ 50 por quilo de terras raras em projetos avançados, com enorme variação conforme teor, mineralogia, reagentes, energia, água, escala industrial e tratamento de resíduos.

A cifra mais reveladora,........

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