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Outra Gaza é possível

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14.08.2026

Por Sergio Ferrari – A reconstrução da Faixa de Gaza é um projeto viável, mas envolverá um esforço material, social e de cura de dimensões colossais

Particularmente desafiador no contexto de um drama social porque os ataques militares de Israel não cessaram mesmo após o frágil cessar-fogo acordado em outubro passado. Mais de 73 mil palestinos foram mortos, cerca de 173 mil feridos e 1,9 milhão deslocados à força até outubro de 2023.

De acordo com um relatório recente das Nações Unidas publicado em 10 de agosto, só no mês de julho deste ano, as forças israelenses mataram cerca de 160 palestinos em Gaza, elevando o número de mortos para mais de 1.200 no enclave devastado desde o chamado cessar-fogo. Os especialistas da ONU afirmam que as vítimas “são mulheres, crianças, idosos e outros que se refugiaram em tendas e em áreas para onde foram direcionados para sua própria segurança. A maioria dos assassinatos ocorreu em zonas de deslocamento densamente povoadas, como Al-Mawasi, longe da chamada linha amarela. Nenhum lugar em Gaza é seguro”.

No entanto, ainda falta muito para que a reconstrução material e a recuperação psicológica e emocional da sociedade de Gaza aconteçam, explica Ursula Hauser, psicóloga suíça formada pela Universidade de Zurique, Suíça, e doutora em Etnopsicanálise pela Universidade de Klagenfurt, Áustria, em uma entrevista exclusiva. Grande conhecedora da Palestina e dos campos de refugiados palestinos no Líbano, Hauser colaborou profissionalmente nos últimos 25 anos com outros psicanalistas e psicodramaturgos nesses países, assim como em outras regiões do mundo com realidades conflitantes, como a América Central.

A guerra devastou escolas, universidades, bibliotecas e arquivos essenciais para preservar a memória palestina. Suas mesquitas, igrejas, instituições culturais, hospitais e outros espaços comunitários e tudo o que proporcionava coesão a esse povo também foram reduzidos a ruínas.

Sua reconstrução exigirá um investimento descomunal, o que evidencia o profundo nível da destruição sofrido pela Faixa de Gaza, um território de aproximadamente 365 quilômetros quadrados e com uma distância de 41 quilômetros de norte a sul e cerca de 6 a 12 quilômetros de leste a oeste. Comparativamente, equivalente à metade da área de superfície de Madri, 20% maior que a de Buenos Aires e um quarto da Cidade do México ou de São Paulo. Com a perda de três quartas partes de seus prédios e residências, a remoção de 60 milhões de toneladas de escombros só do território de Gaza exigirá trabalho intensivo por mais de sete anos. A isso deve ser acrescentado o tempo adicional para a desminagem, o que revela a tarefa gigantesca que se vislumbra (https://news.un.org/fr/story/2026/05/1158839).

De acordo com o Relatório Reconstruindo Gaza (Building Gaza Anew), publicado pela organização não governamental de solidariedade Oxfam Intermón, juntamente com o Instituto Palestino de Pesquisa em Política Econômica (MAS, em inglês) e o Centro Palestino de Comércio (PalTrade, em inglês), o custo da reconstrução exigirá no mínimo 71,4 bilhões de dólares na próxima década. Cerca de sete vezes mais do que teria custado reconstruir Gaza após as grandes ofensivas militares........

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