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Big Techs e Washington na disputa pelo voto brasileiro

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28.03.2026

As eleições de 2026 serão as mais digitalmente vulneráveis da história brasileira. Não por fragilidade das urnas eletrônicas — cuja integridade técnica segue sendo um dos pilares mais robustos do sistema eleitoral do país — mas por uma convergência inédita de pressões externas que se articulam fora do alcance da legislação nacional e da fiscalização do TSE. A ameaça central não é apenas econômica. É política, e reside na aliança entre o capital financeiro dos Estados Unidos e a extrema direita, que descobriu no controle da infraestrutura informacional um substituto eficiente para a conquista eleitoral pela via tradicional.

O instrumento mais visível dessa pressão é a investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio americana contra o Brasil. O mecanismo, historicamente reservado a disputas comerciais clássicas, foi reconfigurado pelo governo de Donald Trump como ferramenta de dissuasão regulatória. Washington tem trabalhado no sentido de que qualquer iniciativa de um país em torno da moderação de conteúdo ou tributação de plataformas seja reenquadrada como “ataque a empresas americanas”, com ameaça de tarifas retaliátórias. A ofensiva, porém, não é apenas comercial. Telegramas do Departamento de Estado assinados por Marco Rubio, circulados em fevereiro, instruíram diplomatas americanos a combater iniciativas de soberania de dados ao redor do mundo, classificando-as como “censura”. A operação é discursiva antes de ser jurídica porque ao ocupar o campo moral antecipadamente, o governo estadunidense torna mais custoso para governos do Sul Global defenderem regulações legítimas sem parecerem autoritários.

Mas a Seção 301 é o aspecto mais legível de algo estruturalmente mais grave. O que Trump e figuras como Elon Musk e Peter Thiel estão construindo não é uma aliança eleitoral doméstica com pretensões exportáveis — é um modelo de poder que funciona........

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