Quando a promessa de prosperidade vira promessa de punição
O PIB pode crescer enquanto uma família continua adiando a compra da casa, renegociando dívidas e revendo os planos para os filhos. Entre a melhora das estatísticas e a experiência de quem trabalha existe uma distância que também é política. Quando a expectativa de prosperar se enfraquece, discursos que prometem identificar e punir os culpados pelo fracasso podem ganhar espaço.
Essa relação está no centro de The Moral Consequences of Economic Growth, publicado em 2005. Benjamin M. Friedman argumenta que a melhora do padrão de vida da maioria favorece a tolerância e o compromisso com a democracia. O economista se refere ao progresso percebido pelas pessoas, que pode divergir da expansão da riqueza nacional. Seu argumento depende de uma pergunta concreta: a vida está melhorando para uma parcela ampla da população?
Na interpretação de Friedman, as pessoas comparam sua situação com o próprio passado e com a posição dos outros. Quem percebe avanço em sua vida tende a ver o sucesso alheio como uma ameaça menor. Se essa perspectiva desaparece, a competição por posição social pode se intensificar. O autor reconhece outras causas para os fenômenos políticos, mas chama atenção para o que acontece quando o esforço deixa de produzir a expectativa de progresso.
Há evidências históricas de que certos choques econômicos alteram a disputa política. Manuel Funke, Moritz Schularick e Christoph Trebesch analisaram mais de 800 eleições em 20 economias avançadas, entre 1870 e........
