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Vigiar quem nos vigia

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04.03.2026

A operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela reafirmou as intenções sanguinolentas do país, evidenciando, mais uma vez, as cruéis táticas de dominação que se consolidaram e seguem se inscrevendo de maneira contínua no curso da história, moldando as diretrizes de sua atuação política no plano internacional. A ação dos Estados Unidos no mês de janeiro foi mais um capítulo de uma longa história de intervenções, sabotagens e ações clandestinas articuladas pela Casa Branca em associação direta com a Agência Central de Inteligência (CIA).

A megalomania estrategicamente alucinada presente nas intervenções de Donald Trump não configurou um desfecho definitivo, mas estabeleceu o tom que passaria a orientar suas investidas subsequentes. Sem qualquer pudor, os Estados Unidos deram continuidade a uma nova etapa de sua agenda imperial, marcada por traços abertamente autoritários, inclusive internamente não respeita nem o Parlamento e nem a Corte Suprema de seu próprio país.

Em 28 de fevereiro deste ano, teve início uma das mais amplas ofensivas já realizadas em território iraniano, marcada por intensos bombardeios e por uma escalada militar de grandes proporções, que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e aprofundou o ciclo de instabilidade na região.

A PRECISÃO DOS ASSASSINATOS EVIDENCIA O PAPEL DA CIA E DE TRAIDORES SUBORNADOS PELA AGÊNCIA.

Donald Trump é o responsável político direto pelos homicídios decorrentes dessas ações e, sob qualquer critério minimamente civilizatório, deveria responder perante tribunais internacionais por crimes de agressão e violação da soberania.

Essas decisões se materializam ancoradas a um aparato permanente de “inteligência”, planejamento e desestabilização, cuja função histórica é viabilizar, nos bastidores, os objetivos estratégicos do imperialismo norte-americano. As atividades ilegais da Agência Central de Inteligência não apenas acompanharam esses processos, mas ajudaram a escrever as decisivas tramas da própria história contemporânea, estando presentes em golpes de Estado, operações de sabotagem, terrorismo, tortura, assassinatos e campanhas de desorganização política.

No Chile, por exemplo, a ação da Agência antecedeu o golpe de 1973, incluindo o envio de telegramas solicitando armamentos para o assassinato do comandante-em-chefe René Schneider, além da difusão de métodos repressivos que se tornariam prática institucional da ditadura. Em 11 de setembro de 1973, o golpe liderado por Augusto Pinochet contou com respaldo político dos Estados Unidos, conforme revelado em gravações de Henry Kissinger e documentos tornados públicos anos depois.

Esse lado obscurecido da CIA, estruturado na violência, em assassinatos e em técnicas sofisticadas de manipulação psicológica, integra o repertório das intervenções........

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