menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O sistema partidário está fechando a porta por onde Bolsonaro entrou

8 0
06.10.2026

Em 2018, Jair Bolsonaro mostrou como era relativamente barato produzir uma ruptura no sistema partidário brasileiro. O PSL havia eleito um deputado federal em 2014. Quatro anos depois, surfando a candidatura presidencial de Bolsonaro, elegeu 52 e tornou-se a segunda maior bancada da Câmara. Fez isso em uma eleição na qual recebeu apenas R$ 9,2 milhões do Fundo Eleitoral. Naquele Congresso, 30 partidos conquistaram cadeiras e o chamado número efetivo de partidos – que pondera as siglas pelo tamanho das bancadas — atingiu o recorde de 16. Era um mercado político extremamente pulverizado, cheio de pequenas empresas e, portanto, vulnerável a um novo concorrente que chegasse com produto suficientemente popular.

Oito anos depois, o movimento é o inverso. O número efetivo de forças partidárias (partidos e federações) na Câmara, que havia caído para cerca de 9 em 2022, deverá recuar novamente, para aproximadamente 7 na composição eleita para compor a Casa a partir de 2027. O PL, herdeiro da principal força eleitoral criada pelo bolsonarismo, não é mais um intruso tentando entrar: elegeu 121 dos 513 deputados, a maior bancada da Câmara. O bolsonarismo que um dia cresceu explorando a fragmentação partidária tornou-se agora um dos maiores beneficiários da concentração. O PL subiu a escada e chegou ao andar de cima.

Essa mudança já era esperada. A cláusula de desempenho foi desenhada para reduzir a pulverização partidária. Em 2018, bastava obter 1,5% dos votos nacionais para a Câmara, respeitada uma distribuição regional mínima, ou eleger nove deputados distribuídos pelo país para preservar acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita. Em 2026, a exigência subiu para........

© Brasil 247