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O fim que ninguém soube evitar

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03.10.2026

Ronaldo foi-se embora da Seleção. Escreve-se assim. Sem algodão. Foi-se embora. A equipa ficou. Os colegas ficaram. O jogo ficou marcado para a mesma hora. Cristiano não conseguiu vencer um jogo diferente: a possibilidade de a Seleção continuar sem ele dentro do campo. Ou então sentiu que Jorge Jesus falhou no jogo da comunicação que tinha sido combinado.

Seja qual for o motivo, este é o fim que ninguém queria e que ninguém tentou evitar, a começar pelo próprio Ronaldo. Um jogador desta dimensão merece uma despedida à altura. E que também deve ser construída por ele. Não basta merecer uma última imagem bonita. É preciso não destruir as condições para ela existir. Nesta história, chegou tarde à conversa que precisava de ter consigo.

O problema não começou em Copenhaga. Em Copenhaga deixou de caber debaixo do tapete. Começou quando Portugal confundiu gratidão com dependência. Quando deixou de avaliar um avançado para começar a defender um monumento. Quando cada substituição passou a exigir uma explicação nacional. Um jogador pode falhar um golo. Um monumento só pode ser profanado. Foi assim que se transformou uma decisão de futebol num conflito sobre a identidade de um país.

Ficar no banco não apaga uma carreira. Sair porque já não se aceita o........

© A Bola