Quando o mundo mudou duas vezes em 2001. Editorial de Rui Tavares Guedes
Há 25 anos, o mundo mudou duas vezes num dia 11. Primeiro, em setembro, de forma brutal e assustadora, com os ataques terroristas ao coração financeiro, cultural e político dos Estados Unidos da América. Depois, em dezembro, de uma forma que na época passou quase despercebida, quando a República Popular da China foi formalmente aceite na Organização Mundial do Comércio. O mundo em que vivemos hoje, com todas as tensões que conhecemos, teve origem nessas duas datas, separadas por apenas três meses – mas que iniciaram, de facto, o século XXI e a era atual, marcada por conflitos crescentes, com profundas alterações no equilíbrio geopolítico, nas relações comerciais e no nosso quotidiano.
Em setembro de 2001, com o mundo suspenso a acompanhar os acontecimentos em Nova Iorque e em Washington, houve um momento em que “fomos todos americanos”, unidos na mesma condenação de um ataque ignóbil, pensado e executado para ser visto em direto nas televisões. Rapidamente percebemos também que tinha chegado ao fim a época que parecia alimentar as esperanças de um futuro mais justo e assente em regras internacionais capazes de se impor aos ditadores. Poucos meses antes, tínhamos........
