A guerra no Médio Oriente e a transformação do equilíbrio global
A confrontação entre Estados Unidos, Israel e Irão não constitui apenas uma escalada regional; revela uma mutação no próprio funcionamento do sistema internacional. O que está em causa não é a erosão imediata do poder, mas a alteração da sua função. A capacidade de projetar força permanece ampla. O que deixou de ser automático é a conversão dessa projeção em estabilidade.
Durante grande parte do período pós-1945, o equilíbrio internacional assentou numa premissa implícita: em última instância, existia um ator com massa crítica suficiente para definir desfechos estratégicos. A Guerra do Golfo de 1991 cristalizou essa configuração — coligação alargada, supremacia tecnológica, encerramento inequívoco. A primazia americana permanece materialmente robusta. O que se alterou foi o contexto estrutural em que essa primazia opera.
A redistribuição de recursos tornou-se permanente. Cada porta-aviões deslocado para o Golfo implica ajustamentos no Indo-Pacífico. Cada sistema antimíssil ativado no Médio Oriente é incorporado nos cálculos estratégicos de outras grandes potências. O poder não diminuiu; tornou-se mais condicionado por interdependências económicas profundas, teatros simultâneos e competição estratégica difusa.
Israel atua segundo uma lógica de prevenção existencial: neutralizar ameaças antes que se tornem irreversíveis. O Irão responde através de pressão........
