Prémio Laranja Doce para a tentativa de restaurar a confiança na Proteção Civil
Uma das marcas das prioridades demagógicas e eleitoralistas do Governo Montenegro foi o total desprezo pela prevenção de riscos. Em síntese, duas ministras da Administração Interna com perfil inadequado, o desperdício dos recursos do PRR destinados ao ordenamento e à gestão da floresta, a degradação do papel da AGIF – Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, que deixou o centro do Governo e ficou perdida na Secretaria de Estado das Florestas, e o abandono do projeto Bupi de cadastro digital de prédios rústicos, condenado à paralisia com a integração no comatoso IRN.
Um Governo só mobilizado para a apresentação de planos cheios de anúncios, para a multiplicação de promessas e para a distribuição de benesses pelos setores mais incómodos da Administração Pública não tinha tempo a perder no inverno e na primavera com as ingratas tarefas de prevenção de riscos de incêndios, e outras ocorrências incertas, em zonas rurais escassamente povoadas por eleitores.
O padrão repetiu-se e correu sempre mal. Em 2024 e 2025 desapareceram da agenda a prevenção de riscos, a imperiosa limpeza dos espaços em torno das casas e das aldeias, os exercícios de preparação de meios e a pedagogia ativa dos comportamentos de segurança em caso de ocorrência grave.
Em 2024, os incêndios mais graves só chegaram em setembro, e Montenegro tentou compensar a falta de prevenção com umas declarações dramáticas sobre conspirações de incendiários e a “mão dura” que lhes iria cair em cima. Nada mudou na lei penal, as verbas do PRR da floresta foram........
