Kafkiano é adjetivo de muro
No final do ano passado fui contactado por colegas da Amphora Media, de Malta, e do CIReN, do Chipre, para unirmos esforços numa investigação conjunta sobre os recursos hídricos dos nossos países.
O plano era simples e de óbvio interesse público: tentar descobrir os maiores consumidores comerciais dos nossos países para perceber os impactos da atividade dessas empresas na vida das populações recorrentemente afetadas pela seca. Quanto lucro têm estas empresas e quem é chamado a pagar a fatura de tudo o que é preciso fazer para compensar estas populações?
A primeira tarefa era requerer das respetivas entidades públicas fornecedoras de água os dados sobre os maiores consumidores de água. A missão não se afigurava difícil: há diretivas europeias que vinculam os Estados-membros a regras de transparência. Em assuntos ambientais, essas obrigações são acrescidas.
Os colegas de Malta fizeram-no e, sem percalços dignos de relato, conseguiram a informação, mas aqui em Portugal a história foi diferente. Escolhidas as dez entidades que iria contactar, optei por uma primeira abordagem mais informal, identificando-me como jornalista num e-mail e pedindo a informação que pretendia. Do outro lado, silêncio.
Muito bem, pensei, terei de apresentar um requerimento formal. Era frustrante deparar-me com a falta de vontade das entidades públicas em colaborar.........
