TikTok e YouTube são a nova babá eletrônica, e produção infantil vive crise
TikTok e YouTube são a nova babá eletrônica, e produção infantil vive crise
Há alguns anos, a televisão ocupava o papel de "babá eletrônica" das crianças. Hoje, basta deslizar o dedo na tela — e qualquer pai ou mãe reconhece a cena: um vídeo puxa o outro, em uma sequência que não depende de horário, grade ou catálogo e, muitas vezes, nem de uma marca ou personagem reconhecível.
O que parece só uma mudança de hábito começa a mostrar impactos mais profundos. Esse novo padrão de consumo — contínuo, fragmentado e guiado por algoritmos — está mudando não só o que os pequenos assistem, mas a forma como veem e, a partir disso, o tipo de vídeo que passa a ser produzido para essa faixa etária.
Os efeitos já aparecem nos números: um estudo encomendado pela Common Sense Media e analisado pelo consultor de mídia Evan Shapiro revela que a procura por conteúdo infantil segue em alta, puxada principalmente pelo ambiente digital, mas a produção tradicional está encolhendo.
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A pesquisa é sobre os Estados Unidos, mas ajuda a explicar uma lógica que já aparece também em lugares como o Brasil.
Segundo a Parrot Analytics, na compilação feita por Shapiro, a demanda por produções digitais infantis cresceu 176% entre 2022 e 2025, enquanto para a TV avançou 54% no mesmo período, com picos recentes de crescimento de 25% no segmento pré-escolar e de 21% entre quem está em idade escolar.
Ao mesmo tempo, dados da Ampere Analysis indicam que o volume global de séries produzidas para esse público caiu de 445 títulos em 2021 para 315 em 2025, uma retração de cerca de 25% — movimento que se repete nas encomendas feitas nos EUA, onde pedidos para streaming por assinatura recuaram de 123 em 2022 para 47 em 2025, enquanto na TV paga caiu de 69 para 43 no mesmo intervalo.
É um acontecimento raro em qualquer indústria: as pessoas querem mais, mas o sistema produz menos.
A demanda por conteúdo infantil continua crescendo, especialmente nos ambientes digitais, embora a oferta de produções de alta qualidade e adequadas à idade não acompanhe esse ritmo. Esse descompasso entre a demanda em alta e a produção limitada é um dos principais desafios do atual cenário da mídia infantil. Evan Shapiro, analista de mídia e ex-vice-presidente da NBCUniversal
A liderança do YouTube e a sombra do TikTok
Medições da Nielsen mostram que o YouTube responde por 12,1% do tempo de exibição entre crianças de 2 a 11 anos dos EUA, à frente de Netflix (8,6%),........
