Brasileiros rejeitam o neoliberalismo (e querem uma nova economia)
Brasileiros rejeitam o neoliberalismo (e querem uma nova economia)
A pesquisa Percepções da Economia Brasileira, realizada pelo Ipsos a pedido do GFNE (Global Fund for a New Economy), investigou as percepções do eleitorado sobre diferentes políticas, valores e narrativas econômicas. Os resultados mostram uma forte rejeição às ideias associadas ao neoliberalismo e uma forte demanda por uma economia em que o Estado ofereça mais segurança e qualidade de vida, com destaque para o enfrentamento do custo de vida e para a valorização da autonomia sobre o tempo e o trabalho. Trata-se de uma tendência também observada em outros países, em que a agenda de affordability (acessibilidade) vem ganhando centralidade no debate econômico e político.
A maior parte dos brasileiros acha que o sistema econômico no Brasil beneficia principalmente os ricos e poderosos e rejeita narrativas associadas à ideologia da meritocracia, do tipo "Quando os empresários ganham mais, a economia cresce e a maioria das pessoas se beneficia" um clássico do trickle down economics, ou ainda, a de que "pessoas que trabalham duro conseguem progredir na vida" e a de que "a maioria dos pobres continua pobre porque não quer trabalhar". Essa insatisfação com o sistema é detectada mesmo entre os que desaprovam o governo Lula e votaram contra o PT nas últimas duas eleições.
Há também amplo apoio a um papel ativo do Estado na economia. Entre quatro metanarrativas testadas, 47% dos entrevistados se identificam mais com a afirmação de que "o Brasil precisa de um governo forte, que invista no desenvolvimento de longo prazo e oriente o crescimento econômico". Em contraste, apenas 9% preferem a ideia de que "um futuro governo deveria reduzir o tamanho do Estado e deixar o setor privado impulsionar a economia" —........
