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Nova lista ambiental protege 24 fungos ameaçados de extinção no Brasil

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29.08.2026

Nova lista ambiental protege 24 fungos ameaçados de extinção no Brasil

A funga — termo que designa o conjunto de espécies de fungos de uma região, de forma similar à fauna para animais e à flora para plantas — foi, por muito tempo, esquecida nas políticas ambientais brasileiras. Esse cenário começou a mudar com a publicação da primeira lista nacional de fungos ameaçados, pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), em junho deste ano. Com isso, 24 espécies passam a ter, pela primeira vez, o mesmo status legal de proteção hoje dado a plantas e animais.

Um dos pesquisadores à frente desse processo é o professor Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, biólogo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que estuda fungos há anos, com foco em áreas de altitude, conservação de espécies e taxonomia. Ele também coordena o grupo de pesquisa MIND.Funga, dedicado a mapear a biodiversidade de macro e microfungos em ecossistemas ameaçados, como as matas nebulares.

O MIND.Funga também é responsável pela Coleção de Fungos Ameaçados do Brasil (CFAB), primeira iniciativa do tipo no país, que se dedica à conservação da diversidade genética ex situ (fora do local de origem).

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Para tirar a lista do papel, foi necessária uma articulação que reuniu o BrazFunSG/IUCN (Grupo de Especialistas em Fungos do Brasil) e o CNCFlora (Centro Nacional de Conservação da Flora). Esse avanço também foi impulsionado pela Rede de Taxonomistas da Funga do Brasil (Rede Funga), financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que engajou especialistas de diversas instituições do país para construir uma base de dados sólida na plataforma Flora e Funga do Brasil.

Nesta conversa com a Mongabay, Drechsler-Santos compartilha os bastidores desse marco político e alerta sobre as ameaças que afetam ecossistemas frágeis, o papel da ciência cidadã e o futuro de quem está começando agora na micologia. A entrevista a seguir foi editada para maior clareza e concisão.

Mongabay: Como você recebeu a notícia sobre a publicação da lista nacional de fungos ameaçados de extinção e qual a sensação de ver o Reino Fungi reconhecido por políticas públicas?

Elisandro Ricardo Drechsler-Santos: Eu tive dois sentimentos num primeiro momento. O primeiro é de realização, de um trabalho coletivo, difícil, de engajamento de pessoas, de tentar mudar o status de uma condição passiva de negligência a um grupo de organismos tão importante, tão gigante quanto a sua diversidade. Foi sim uma grande realização, com um sentimento de conquista. Agora, os fungos nunca mais serão negligenciados, pelo menos nessa perspectiva da ausência na legislação nacional. Com a publicação, os fungos estão sendo considerados pela agenda de conservação da biodiversidade brasileira no mesmo nível das plantas e dos animais.

O segundo sentimento foi de que ainda há muito trabalho pela frente. Enquanto comunidade de especialistas e de interessados na micologia nacional, precisamos de mobilização para documentar cada vez mais a diversidade, fazer mais avaliações do status de conservação das espécies, tentar incluir........

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