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Comendo na França sem estrelas, mas com os sabores simples da terra (de lá)

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25.02.2026

Comendo na França sem estrelas, mas com os sabores simples da terra (de lá)

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Uma viagem à França rima com alta gastronomia. Alguns dos chefs mais premiados, produtos mais refinados e tradições mais cultuadas estão presentes nas mesas de todo o país. E em minha última viagem até lá, em dezembro passado, o objetivo era mesmo desfrutar de algumas das grandes joias da culinária mundial.

Eu havia sido convidado para um jantar no principado de Mônaco, que reuniu os principais chefs dos hoteis da Societé des Bains de Mer — a empresa da família real. Os restaurantes somam dez estrelas do guia Michelin, todas elas representadas naquela noite. Além disso, antes do banquete com todos eles reunidos, almocei ou jantei separadamente nos restaurantes dirigidos por cada um destes chefs — gente como Alain Ducasse, Yannick Alléno, Marcel Ravin.

Mas o que quero contar agora é como foi o aquecimento para chegar até lá. Ocorre que antes de ir a Mônaco passei alguns dias em Paris. Onde tampouco faltam (muito pelo contrário) grandes restaurantes estrelados pelo guia Michelin. Mas diante da constelação que me esperava logo em seguida, e da altíssima gastronomia que teria pela frente, resolvi em Paris me ater a uma cozinha mais afetiva, mais básica e trivial (para os padrões da França).

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Para me aclimatar aos poucos ao país, comecei fazendo a ponte entre sabores brasileiros e franceses. Chamei o amigo Raí, ex-jogador que é também ídolo da torcida na França (onde está morando enquanto faz um curso na universidade Sorbonne), e fomos jantar no Nosso (22 Promenade Claude Levi Strauss, Paris).

Trata-se do simpático restaurante da chef brasileira Alessandra Montagne, onde provamos alguns dos motivos do seu sucesso por lá, como o pão de queijo com caviar; o caldinho de feijão; mas também, com a criatividade da chef, a vieira com lâminas de rabanete, maionese de mexilhão e molho de mexilhão com leite de coco; e os cogumelos da estação — num prato em que eles aparecem em creme, em picles e como caramelo, com trigo sarraceno. Na saideira, no lugar de um Sauternes ou outro vinho de sobremesa, brindamos com uma dose de cachaça.

Depois da descompressão com ares brasileiros, era hora de mergulhar o pé na jaca cem por cento francesa (existe??), o que eu comecei a fazer pelo hotel em que estava hospedado, o charmoso SO/Paris.

Lá no alto fica o agitado restaurante Bonnie (10 rue Agrippa d'Aubigné, Paris), com uma vista impactante da cidade, desde o rio Sena (que fica colado) até a catedral de Notre Dame e a torre Eiffel. E no cardápio, clássicos franceses — não hesitei em pedir o foie gras de pato com um pão tostado, e o ris de veau (timo de vitelo) com molho de champignons silvestres (estavam na época) e, claro, purê de batata.

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Em filme e livro, o choque cultural das mesas do sul e do norte da Europa

Eu tinha apenas dois dias, mas na busca destes sabores da terra, consegui também conhecer a brasserie do chef Mauro Colagreco (do 3 estrelas Mirazur, no sul da França, em Menton) e me deliciar no inverno de Paris, com seu caloroso pot au feu (cozido de carnes) que me abraçou naquele frio, fazendo jus ao nome do restaurante: Grand Coeur ("grande coração", 41 rue du Temple, Paris).

O pot au feu foi servido em duas etapas: primeiro o consomê do cozido com vermicelli (macarrão fininho), acompanhado de tutano com uma torrada ao alho e alecrim. Depois, as carnes propriamente, com uma miríade de molhos e condimentos. Tudo desceu muito bem com um tinto de Mâcon, na Bourgogne. Foi difícil (mas não impossível) sobrar espaço para uma crocante torta de figo.

Missão cumprida em Paris. Mas em Monaco, para não ficar somente na gastronomia mais criativa e refinada, não resisti a pelo menos uma refeição de pratos tradicionais. Que encontrei no Café de Paris (place du Casino, Monte Carlo), há mais de 150 anos estacionado em Monte Carlo, diante da praça do Cassino.

Com ajuda de amigos, foi possível provar de quase tudo... arenque defumado com batata; escargots de Bourgogne; fígado de vitelo à moda da casa com salada verde; linguado à meunière; frango cordon bleu (com presunto de Parma e queijo Comté); crêpes suzette. Agora sim, pronto para o céu de estrelas — mas esta é outra história.

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